Golpe do falso advogado: como funciona e como se proteger na prática
maio 11, 2026
Nos últimos tempos, um tipo de golpe tem se tornado cada vez mais comum, e preocupante, no meio jurídico: o chamado “golpe do falso advogado”.
Ele chama atenção por um motivo simples: não atinge apenas o cliente, mas também impacta diretamente a imagem e a confiança na advocacia.
E o pior: é um golpe sofisticado, que explora justamente a relação de confiança entre advogado e cliente.
O que é o golpe do falso advogado?
De forma simples, trata-se de uma fraude em que criminosos se passam por advogados, ou por membros de um escritório, para entrar em contato com clientes e solicitar pagamentos indevidos.
Na maioria dos casos, o golpista já possui algumas informações reais:
- nome do cliente;
- número do processo;
- nome do advogado verdadeiro;
- tipo de ação.
Com esses dados, ele entra em contato, geralmente por WhatsApp, se passando pelo advogado ou pela equipe do escritório, e informa que há um valor a ser pago para “liberar” um valor judicial, custas, alvará ou qualquer outra justificativa aparentemente legítima.
A abordagem costuma ser convincente. E é justamente aí que mora o perigo.
Como o golpista age na prática
O padrão costuma se repetir:
Primeiro, o criminoso obtém informações do processo, muitas vezes por meio de consultas públicas ou vazamentos de dados. Depois, entra em contato com o cliente usando:
- foto de perfil semelhante à do advogado;
- linguagem formal;
- assinatura com nome e até número da OAB;
- senso de urgência (“precisa pagar hoje para liberar o valor”).
Em alguns casos, ele chega a enviar documentos falsificados, simulando decisões judiciais ou guias de pagamento.
O cliente, acreditando estar falando com seu advogado, realiza o pagamento. Quando percebe o golpe, o prejuízo já aconteceu.
O impacto para o advogado
Mesmo não sendo o autor do golpe, o advogado muitas vezes acaba sendo envolvido na situação.
O cliente pode:
- desconfiar da atuação do profissional;
- questionar a comunicação;
- ou até atribuir, inicialmente, alguma responsabilidade.
Isso gera desgaste, quebra de confiança e, em alguns casos, conflitos que poderiam ter sido evitados.
Por isso, esse não é apenas um problema de segurança digital. É também uma questão de gestão de risco na advocacia.
Como se proteger (e proteger o cliente)
A melhor forma de lidar com esse tipo de situação é a prevenção.
E aqui entra um ponto que muitos advogados ainda negligenciam: deixar claro, desde o início da relação, como será a comunicação oficial com o cliente.
Definir previamente:
- quais são os canais oficiais (telefone, e-mail, WhatsApp);
- como serão feitas cobranças;
- se haverá ou não envio de boletos ou pedidos de pagamento;
- quais são os procedimentos padrão do escritório.
Tudo isso reduz drasticamente a chance de o cliente cair em um golpe.
E mais importante: cria um parâmetro claro para que ele identifique quando algo está fora do padrão.
O papel do contrato de honorários
É justamente nesse ponto que o contrato de honorários deixa de ser apenas um documento financeiro e passa a ser uma ferramenta de proteção.
Um contrato bem estruturado pode prever, por exemplo:
- os meios oficiais de comunicação do advogado;
- a forma como valores serão cobrados;
- alertas sobre golpes e orientações ao cliente;
- e até cláusulas que reforcem a necessidade de confirmação antes de qualquer pagamento.
Isso não elimina completamente o risco, mas reduz significativamente a vulnerabilidade.
Inclusive, foi ao perceber situações como essa na prática que eu desenvolvi um material voltado justamente para a estruturação correta do contrato de honorários.
Além de um modelo editável, há uma versão comentada explicando cada cláusula e aulas mostrando como utilizar o contrato não apenas para cobrança, mas também como instrumento de proteção na relação com o cliente. Para acessar o material clique aqui.
Porque, no fim, muitos problemas da advocacia não surgem no processo, surgem antes, na forma como a relação foi construída.
O golpe do falso advogado é mais um exemplo de como a prática jurídica exige atenção que vai além do Direito puro.
Hoje, advogar também envolve:
- gestão de risco;
- comunicação clara;
- organização profissional;
- e prevenção de conflitos.
Não basta atuar bem no processo. É preciso estruturar bem a relação com o cliente.
E, muitas vezes, essa estrutura começa com algo simples, mas poderoso: um bom contrato.

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