O que podemos aprender com a ultima copa do mundo de Lionel Messi?
agosto 10, 2026
Vivemos em uma sociedade obcecada por resultados. Se alguém vence, é chamado de gênio. Se perde, parece que todo o esforço deixa de existir. Poucas pessoas conseguem separar uma coisa da outra: mérito e resultado.
Talvez o maior exemplo recente disso seja Lionel Messi.
Na Copa do Mundo de 2022, no Catar, Messi fez um torneio extraordinário. Marcou sete gols, distribuiu três assistências, liderou a Argentina dentro e fora de campo, foi decisivo em praticamente todos os jogos do mata-mata e conquistou o título mundial. Como consequência, recebeu a Bola de Ouro da competição como melhor jogador do torneio. Poucos contestaram aquele reconhecimento.
Quatro anos depois, na Copa do Mundo de 2026, muitos acreditavam que, aos 39 anos, Messi apenas encerraria sua história em Mundiais. O que aconteceu foi exatamente o contrário.
Ele voltou a ser protagonista.
Ao longo da competição marcou oito gols e distribuiu quatro assistências, números superiores aos da campanha vitoriosa de 2022. Quebrou recordes, conduziu novamente a Argentina até a decisão e, até a final, era apontado por muitos como favorito à Bola de Ouro do torneio.
Mas o futebol, assim como a vida, não premia apenas o mérito.
Na decisão contra a Espanha, a Argentina foi neutralizada taticamente. Messi praticamente não conseguiu participar do jogo, e a equipe argentina sequer finalizou durante o tempo regulamentar, produzindo sua primeira tentativa apenas no fim da prorrogação. A Espanha venceu por 1 a 0 e conquistou o título. Ao final da competição, a Bola de Ouro ficou com Rodri.
E aqui nasce uma reflexão que vai muito além do futebol.
Será que Messi trabalhou menos em 2026? Treinou menos? Foi menos disciplinado? Se dedicou menos?
É evidente que não.
Na verdade, olhando apenas para os números individuais, seu desempenho foi ainda melhor do que aquele que o levou ao título mundial quatro anos antes. A diferença é que, desta vez, o resultado coletivo não aconteceu.
Isso mostra algo que muitas vezes esquecemos: o resultado não depende exclusivamente do nosso esforço.
Nós controlamos o treino, a disciplina, o estudo, a preparação e o comprometimento. Mas existe uma parte da equação que nunca estará totalmente em nossas mãos.
No esporte isso fica evidente. Um desvio na bola, uma lesão, uma decisão da arbitragem, um adversário em grande fase ou simplesmente um dia ruim podem mudar completamente a história de uma competição.
Na advocacia acontece exatamente a mesma coisa. Você pode estudar profundamente um processo. Preparar uma excelente sustentação oral, pesquisar jurisprudência, produzir uma petição tecnicamente impecável, atender seu cliente com dedicação etc.
Ainda assim, o julgamento pode não ser favorável. Isso não significa, necessariamente, que seu trabalho foi ruim.
Da mesma forma, um advogado pode vencer uma causa tendo apresentado uma atuação apenas mediana (acontece com muitos promotores de justiça). Resultado e qualidade não caminham sempre juntos.
O problema é que nossa sociedade costuma avaliar pessoas apenas pelo desfecho. Quem vence recebe todos os méritos. Quem perde, muitas vezes, vê todo o esforço ser ignorado.
Mas essa lógica é perigosa.
Se medirmos nossa competência apenas pelos resultados, estaremos entregando nossa paz a fatores que nunca poderemos controlar completamente.
É claro que devemos buscar vencer. É claro que devemos perseguir os melhores resultados possíveis.
Mas talvez a pergunta mais importante seja outra: Você fez tudo o que estava ao seu alcance?
Se a resposta for sim, existe tranquilidade. Porque o mérito está no processo. O resultado pertence também às circunstâncias.
Messi provavelmente trocaria qualquer estatística pelo bicampeonato mundial. Mas o fato de não ter levantado a taça em 2026 não apaga a grandeza de sua campanha. Pelo contrário. Talvez ela seja ainda mais valiosa justamente porque nos lembra que nem sempre o melhor desempenho termina com o melhor troféu.
Essa talvez seja uma das lições mais importantes para qualquer profissional, estudante ou atleta.
Faça a sua parte da melhor forma possível.
Estude.
Treine.
Se prepare.
Tenha disciplina.
Busque excelência.
Porque isso depende exclusivamente de você. O resultado, porém, sempre terá uma parcela que escapa ao nosso controle.
E entender essa diferença não diminui a ambição, pelo contrário. Nos torna mais maduros para continuar caminhando, independentemente do placar final.
Se você gosta de reflexões como essa, relacionando esporte, carreira, advocacia e desenvolvimento pessoal, acompanhe meu trabalho no Instagram: @felipe.s.macedo. Compartilho diariamente conteúdos sobre Direito, disciplina, mentalidade e crescimento profissional.

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